
Ver vídeos curtos e rápidos pode causar prejuízo à saúde dos olhos
Publicado em 11 de janeiro de 2026 às 16:00
3 min de leituraO texto abaixo foi publicado originalmente na Agência Einstein.
Um estudo realizado na Índia alerta sobre o impacto na saúde ocular do tipo de conteúdo consumido no celular. Ao comparar leitura de e-books, vídeos convencionais e vídeos curtos e dinâmicos populares nas redes sociais, os pesquisadores observaram que esses últimos sobrecarregam mais os olhos, provocando maior oscilação no tamanho da pupila e redução da frequência de piscadas, sinais comuns de fadiga ocular digital.
Publicada no Journal of Eye Movement Research, a pesquisa acompanhou 30 jovens adultos durante uma hora de uso contínuo do smartphone. Os pesquisadores criaram um sistema portátil para medir em tempo real a taxa de piscadas, o intervalo entre elas e o diâmetro da pupila. O equipamento tinha uma câmera infravermelha acoplada a um microprocessador e registrou as alterações oculares sem interferir no uso natural do celular.
Ao longo do experimento, os pesquisadores perceberam que houve queda significativa na taxa de piscadas em todas as atividades analisadas: durante a leitura, ao assistir a vídeos mais longos e ao consumir Reels (como são chamados os vídeos curtos no Instagram). Esse comportamento faz com que os olhos permaneçam abertos por mais tempo, favorecendo o ressecamento e o cansaço visual. Além disso, enquanto o diâmetro da pupila se manteve relativamente estável durante a leitura e os vídeos longos, nos conteúdos curtos e rápidos houve variações mais intensas.
“A fadiga ocular, clinicamente chamada de astenopia, é um conjunto de sintomas que surge quando o sistema visual fica sobrecarregado por esforço contínuo, especialmente em tarefas de perto. Ela está associada à redução da frequência de piscadas, ao esforço de foco e a fatores como brilho excessivo e iluminação inadequada”, explica o oftalmologista Lucas Zago, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia.
É o caso dos vídeos curtos, diariamente consumidos em redes sociais como Instagram, TikTok e YouTube. “Eles são compostos por mudanças rápidas e constantes de brilho, contraste e imagens. Isso exige uma adaptação contínua do sistema visual, fazendo com que a pupila se contraia e dilate o tempo todo. Esse esforço repetido favorece o surgimento da fadiga ocular, diferentemente de conteúdos mais estáticos, como a leitura”, afirma Zago.
Na prática clínica, esse padrão já é bem conhecido. “Temos observado um aumento de pacientes com queixas visuais associadas ao uso intenso de redes sociais. Alguns centros, inclusive, têm chamado esse conjunto de sintomas de uma espécie de reel vision syndrome”, relata o oftalmologista.
Um problema cada vez mais comum
A ideia de investigar os impactos do uso do celular na saúde ocular partiu de uma constatação cada vez mais preocupante: o smartphone deixou de ser um acessório e passou a ocupar lugar central na vida cotidiana das pessoas. Em 2023, mais de 68% da população mundial já possuía um aparelho.
No Brasil, a dependência é ainda maior: em 2024, 167,5 milhões de brasileiros com 10 anos ou mais tinham um celular para uso pessoal, o que representa quase nove em cada 10 pessoas nessa faixa etária (88,9%). É o que revela a última edição da PNAD Contínua sobre Tecnologia da Informação e Comunicação, pesquisa anual conduzida Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Fonte: Superinteressante
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