Ódio à IA dispara entre criadores de jogos, mas chefes adoram
Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 11:00
2 min de leituraA Inteligência Artificial Generativa não está unindo a indústria de games — está dividindo-a ao meio. Uma nova pesquisa da GDC (Game Developers Conference), revela um cenário de tensão crescente: enquanto executivos abraçam a tecnologia, quem realmente faz os jogos está cada vez mais hostil a ela.
Segundo o relatório, 52% dos profissionais acreditam que a IA generativa está tendo um impacto negativo na indústria. Esse número disparou em comparação aos anos anteriores (eram apenas 18% há dois anos). Apenas 7% dos entrevistados ainda veem a IA como algo positivo.
A Ferramenta do Chefe
O dado mais revelador é quem está usando a IA. A pesquisa confirma a suspeita de muitos: a tecnologia virou o brinquedo favorito da gerência.
• 58% dos profissionais de negócios usam IA generativa.
• 47% da alta gerência utiliza as ferramentas.
• Já entre artistas, designers e programadores, o uso cai para 29%.
Isso cria uma desconexão perigosa: diretores e CEOs veem a IA como um "elixir de produtividade" para responder e-mails e brainstorms, enquanto os criativos a veem como uma ameaça existencial.
"Queimados vivos por Kurt Russell"
O relatório traz citações anônimas que ilustram o clima de guerra. De um lado, um entusiasta da IA admitiu estar trabalhando em uma plataforma para "tirar o emprego de todos os devs e deixar crianças criarem seu próprio conteúdo".
Do outro, a resistência é feroz. Um supervisor de design do Reino Unido afirmou: "Prefiro sair da indústria a usar IA generativa". Outro consultor nos EUA foi mais longe, citando o clássico filme de terror O Enigma de Outro Mundo (The Thing):
"Nossa regra é: se um de nós sugerir usar GenAI, é seguro assumir que fomos assimilados pela ‘Coisa’ e devemos ser queimados vivos pelo Kurt Russell".
Apesar do barulho, a maioria do uso atual (81%) ainda é para pesquisa e tarefas de escritório, e não para criar o jogo final. Mas a desconfiança de que a arte será substituída por algoritmos nunca foi tão alta.
Fonte: Hardware.com.br
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