
Prepare o bolso: Governo aumenta imposto de importação sobre smartphones e eletrônicos
Publicado em 21 de fevereiro de 2026 às 17:17
2 min de leituraO governo federal decidiu elevar a taxação de compras do exterior, aplicando um aumento de até 7,2 pontos percentuais nas alíquotas do imposto de importação sobre bens de informática, telecomunicação e maquinário, a lista engloba mais de mil itens, incluindo produtos fora do nicho de tecnologia, como turbinas para embarcações, motores para aviação e fornos industriais.
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Para o público entusiasta de tecnologia, o golpe mais duro está na inclusão direta de smartphones, monitores (painéis LCD/LED), cartuchos de tinta, robôs industriais e circuitos impressos (placas) montados com componentes eletrônicos. Algumas regras já entraram em vigor este mês, enquanto o restante será aplicado a partir de março.
Qual a justificativa do governo?
A decisão gerou críticas imediatas do setor de importação, mas foi duramente defendida pelo Ministério da Fazenda sob o argumento de protecionismo da indústria nacional.
Segundo uma nota técnica divulgada pela pasta, a importação de bens de capital e de informática cresceu mais de 33% desde 2022. O governo alega que os produtos importados (vindos majoritariamente dos EUA e da China) já dominam mais de 45% do consumo nacional. O Ministério classificou esse nível de acesso estrangeiro como uma ameaça que poderia “colapsar elos da cadeia produtiva e provocar regressões produtivas e tecnológicas no país”.
A Fazenda defende que o aumento de 7,2% é uma medida “moderada e focalizada” para reequilibrar os preços e dar fôlego para que o produto nacional consiga competir nas prateleiras.
O alerta
No entanto, quem trabalha na ponta da cadeia logística tem uma visão bem mais pessimista. Mauro Lourenço Dias, presidente do Fiorde Group (especializado em importação), alerta que a indústria brasileira de bens de capital simplesmente não consegue atender à demanda interna nem acompanhar o ritmo de modernização global de hardware.
Muitas empresas de TI e infraestrutura no Brasil dependem de peças estrangeiras essenciais para operar. “Quando o custo sobe de forma abrupta, muitos projetos ficam comprometidos e a competitividade do Brasil no cenário internacional é afetada”, avaliou Dias em entrevista ao G1.
O setor estima um efeito em cadeia que deve encarecer desde o custo de televisores e eletrodomésticos nas lojas do varejo até a manutenção de infraestruturas complexas. O governo, por sua vez, discorda, afirmando que o impacto indireto na inflação será “baixo e defasado”.
Existe alguma isenção?
Apesar da tarifa, o governo abriu uma pequena janela de exceção, mas que não deve aliviar o consumidor final de tecnologia. Foi liberada a possibilidade de empresas fazerem pedidos de redução temporária da alíquota para zero até o dia 31 de março. Contudo, essa regra vale estritamente para produtos que já eram beneficiados por reduções anteriores e, caso aprovada, a isenção terá duração máxima de apenas 120 dias.
Para quem planeja trocar de celular ou importar peças para montar um PC em 2026, a matemática é implacável: a conta final chegará mais alta, repassada pelas lojas ou cobrada diretamente na alfândega.
Fonte: Hardware.com.br
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