Revolta de operárias contra rainhas enfraquecidas por vírus pode ser causa da redução das colônias de abelhas
Publicado em 20 de dezembro de 2025 às 12:00
2 min de leituraAlison McAfee é fellow de pós-doutorado na University of British Columbia e na North Carolina State University. Este texto foi republicado do The Conversation.
Quando os resultados da pesquisa nacional canadense sobre a perda de colônias de abelhas melíferas foram publicados em julho de 2025, não foram nenhuma surpresa. De acordo com a Associação Canadense de Apicultores Profissionais, estimava-se que 36% das 830.000 colônias de abelhas melíferas do Canadá tinham morrido durante o inverno.
Esses números costumavam ser manchetes. Mas depois de quase duas décadas da mesma história — colônias morrendo no inverno, apicultores lutando para reconstruir, tendo algum sucesso, repetindo o ciclo —, as tristes estatísticas não são mais notícia, e ainda estamos tentando descobrir por que o ciclo persiste.
Agora, talvez estejamos tendo um momento de inspiração. Minha colega Abigail Chapman e eu descobrimos recentemente que as abelhas rainhas estão sendo infectadas com vírus que comprometem sua fertilidade e podem levá-las a serem expulsas de suas colônias. E isso é significativo, porque as "rainhas pobres" são a causa mais comum de perdas de colônias relatadas por apicultores canadenses.
A vida de uma rainha
Uma colmeia típica de abelhas melíferas tem uma única rainha no comando, e ela é a única responsável por botar milhares de ovos por dia — mais do que seu próprio peso corporal — para fazer crescer e reabastecer a população da colônia durante anos.
Uma rainha saudável e produtiva também secreta feromônios que, como um buquê químico, sinalizam sua qualidade para as operárias (fêmeas estéreis que compõem a maior parte da população da colmeia).
A rainha não pode se dar ao luxo de ficar doente. Ela já mal tem tempo para dormir, e a colônia depende dela para se manter reprodutiva. Mas ela pode realmente ficar doente.
"Autópsias" de rainhas apontam para vírus
Nossas pesquisas com rainhas de membros da Associação de Criadores de Abelhas da Colúmbia Britânica mostraram que as rainhas "deficientes" (de baixa qualidade, improdutivas) tinham uma carga viral mais alta do que suas contrapartes saudáveis. Ou seja, elas estavam infectadas com mais vírus, tinham infecções mais intensas ou ambos. As rainhas com falha também tinham ovários menores, um sinal de que poderiam ser menos férteis.
Fonte: Superinteressante
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