
Caos sem fim: Fonte e coolers também ficarão mais caros. E o motivo? IA
Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 14:05
3 min de leituraResumo rápido!
A corrida global pela infraestrutura de inteligência artificial está criando um efeito dominó inesperado: depois de memórias e placas de vídeo, agora são as fontes de alimentação e sistemas de refrigeração que devem subir até 10% nos próximos meses. A culpa? A explosão na demanda por cobre, metal essencial para datacenters de IA que consomem quilômetros de cabeamento.
O mercado de componentes de PC recebeu mais um alerta preocupante. A Guangzhou Xinhongzheng Electronic Technology Co., Ltd, gigante chinesa do setor, enviou comunicado oficial aos distribuidores avisando: quem não comprar até o fim deste mês vai pagar mais caro. As fontes de alimentação devem ficar entre 6% e 10% mais caras, enquanto coolers para processadores sobem de 6% a 8%.
O Cobre está virando ouro
O vilão dessa história está presente em praticamente tudo que tem fio ou dissipador térmico: o cobre. Segundo a fabricante, o preço da matéria-prima disparou nas últimas semanas, e manter os valores atuais ficou inviável. A recomendação oficial? Aproveite os descontos sazonais enquanto duram — algo que lembra muito o conselho dado antes da explosão de preços das placas de vídeo em 2021.
Mas esse não é um problema pontual de um fabricante isolado. A Reuters divulgou projeção assustadora: a demanda global por cobre deve crescer 50% até 2040. E não, não é por causa dos carros elétricos como muita gente imagina.
Datacenters de IA devoram metal
Os centros de processamento de inteligência artificial são verdadeiros monstros famintos por cobre. Cada rack precisa de metros e metros de cabeamento de alta qualidade para interconexões internas e externas. Some isso aos próprios componentes — placas-mãe, GPUs, sistemas de energia redundante — e você tem um consumo que supera até mesmo grandes fábricas tradicionais.
O setor militar e a robótica também entraram na briga. Com a escalada de investimentos em defesa ao redor do mundo e a automação industrial acelerando, metais como cobre e prata viraram ativos estratégicos. Resultado: uma “eletrificação” global competindo pelos mesmos recursos finitos.
Setor Aumento de Demanda Projetado
Datacenters de IA 35-40% até 2030
Indústria de Defesa 15-20% até 2030
Robótica Industrial 12-18% até 2030
Veículos Elétricos 10-15% até 2030
O efeito cascata no seu bolso
Traduzindo para o consumidor final: se você estava pensando em montar ou fazer upgrade no PC, 2026 pode ser o ano errado para procrastinar. A cadeia de preços já começou com memórias DDR5 caras, continuou com as placas de vídeo da série RTX 50 e agora chega aos componentes “básicos” que muita gente nem presta atenção na hora de orçar.
Fontes de 850W ou mais — essenciais para configurações com GPUs top de linha — devem sentir mais o impacto. Coolers all-in-one (AIO), que usam radiadores de cobre maciço, também entram na lista de risco. Até gabinetes com painéis metálicos podem surfar nessa onda.
A situação só não é apocalíptica porque ainda existem reservas inexploradas. O problema é que abrir novas minas leva anos e envolve questões ambientais complexas. Enquanto isso, a S&P Global alerta: sem novos projetos de mineração aprovados rapidamente, o gap entre oferta e demanda vai se alargar perigosamente após 2030.
Vale lembrar que a China controla boa parte do refino global de cobre, o que adiciona uma camada geopolítica à crise. Qualquer tensão comercial pode resultar em escassez artificial, como já vimos acontecer com terras raras no passado.
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Fonte: Hardware.com.br


