
China avança rápido na produção de chips, mas ainda tem um ponto fraco
Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 14:00
3 min de leituraResumo rápido!
Pequim estabeleceu como objetivo atingir 30% de equipamentos nacionais nas fábricas de semicondutores até o final de 2025, mas encerrou o ano com 35% — cinco pontos percentuais acima da meta. Máquinas para gravação química e deposição de filmes já representam mais de 40% do parque industrial chinês, enquanto litografia ainda depende fortemente de importações. A dependência de fornecedores estrangeiros diminui rapidamente, mas cria gargalos de produção por falta de capacidade local.
Equipamentos chineses dominam etapas específicas
A fabricação de chips envolve dezenas de processos além da litografia. Enquanto scanners EUV (ultravioleta extremo) permanecem fora do alcance dos engenheiros chineses, operações tecnológicas mais acessíveis são cada vez mais executadas com máquinas de desenvolvimento local.
A TrendForce relata que a China elevou a participação de equipamentos domésticos de 25% em 2024 para 35% em 2025. No segmento de gravação química (etching) de wafers de silício e aplicação de revestimentos de filme fino, a proporção de produtos chineses já supera 40%.
Um equipamento de gravação para wafers com chips de 5 nm desenvolvido localmente está em fase de validação em uma linha de produção da TSMC, líder mundial em fabricação terceirizada de semicondutores. Fornos tecnológicos da Naura representam mais de 60% dos equipamentos desse tipo utilizados pela chinesa SMIC na produção de chips de 28 nm.
Avanços e limitações por categoria de máquina
Nas linhas da YMTC (fabricante de memória 3D NAND), a participação de equipamentos Piotech para deposição química de vapor assistida por plasma dobrou de 15% para 30%. Máquinas de limpeza de wafers da ACM Research operam com mais de 90% de capacidade nas linhas de 28 nm da Hua Hong.
Contudo, instrumentos de medição e controle apresentam apenas 25% de substituição de importações, enquanto scanners de litografia atingem modestos 18%. Apesar dos números parecerem baixos, representam progresso significativo: em 2022, essas porcentagens não ultrapassavam 10% e 6%, respectivamente.
Demanda explode 80% e cria escassez
A procura por equipamentos chineses de fabricação de chips cresceu 80% em valor financeiro ao longo de um ano. A Naura possui encomendas garantidas até o primeiro trimestre de 2027. Autoridades chinesas agora exigem que todas as novas linhas de produção utilizem no mínimo 50% de equipamentos locais — uma determinação que paradoxalmente limitou a velocidade de expansão das fábricas, pois não há equipamento nacional suficiente para atender todos.
A compra de equipamentos domésticos na China recebe subsídios governamentais. Sob esse esquema, 421 pedidos foram formalizados em 2025, totalizando US$ 122 milhões. O incentivo financeiro acelera a adoção, mas expõe a fragilidade da cadeia de suprimentos: fabricantes chineses ainda não conseguem escalar produção na velocidade necessária para acompanhar a demanda interna.
Litografia permanece como gargalo crítico
A baixa taxa de 18% em scanners de litografia reflete a complexidade técnica desses sistemas. ASML, fabricante holandesa que detém monopólio virtual em litografia EUV, está sujeita a restrições de exportação para a China desde 2023. Isso força empresas chinesas como SMEE a desenvolver alternativas, mas a distância tecnológica permanece considerável — especialmente para processos abaixo de 7 nm, onde litografia EUV é praticamente obrigatória.
A estratégia chinesa concentra-se em tecnologias maduras (28 nm e acima), onde equipamentos de litografia DUV (ultravioleta profundo) são suficientes e mais fáceis de desenvolver domesticamente.
Fonte: Hardware.com.br
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