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DNA de baleias-jubarte ainda carrega marcas da caça predatória do século 20

Publicado em 22 de dezembro de 2025 às 19:00

2 min de leitura

O genoma das baleias-jubarte ainda carrega marcas profundas da caça industrial que quase levou a espécie à extinção no século 20. Mesmo após décadas de proteção e sinais claros de recuperação no número de animais, o DNA desses cetáceos mostra que a exploração em larga escala deixou efeitos duradouros.

A conclusão vem de um estudo publicado na Science Advances. Os pesquisadores analisaram o DNA de 16 baleias-jubarte modernas, coletadas a partir da década de 1980, e o compararam ao de nove exemplares históricos do início do século 20.

As amostras antigas foram obtidas a partir de ossos preservados em antigas estações baleeiras, o que permitiu observar diretamente como a população era antes do colapso causado pela exploração industrial.

Essa comparação ajudou a reconstruir como a caça em larga escala alterou o tamanho das populações ao longo do tempo e deixou marcas persistentes no genoma das baleias. Os resultados confirmam, com base genética, o que já era conhecido a partir de registros históricos.

Antes do início da exploração industrial, voltada principalmente à extração de óleo da gordura das baleias – usado como combustível para iluminação, lubrificante industrial e matéria-prima para sabões e outros produtos –, a população de jubartes no Atlântico Norte era estimada em cerca de 25 mil indivíduos.

Com o avanço da caça comercial ao longo do século 19, esse número despencou, chegando a aproximadamente 2.500 baleias por volta de 1900. No oceano Austral, a vasta região de águas frias que circunda a Antártida, onde a espécie era ainda mais abundante, a queda foi ainda mais brusca.

A população, estimada em quase 70 mil indivíduos no século 17, foi reduzida a pouco mais de 1.300 baleias por volta de 1930, após apenas algumas décadas de caça mecanizada.

Essa diferença entre os oceanos ajuda a entender a dinâmica da exploração. Quando as jubartes se tornaram raras no Atlântico Norte, os baleeiros passaram a concentrar suas atividades no hemisfério Sul, onde a introdução de navios a vapor e lanças explosivas tornou a caça muito mais eficiente.

Mesmo após a proibição internacional da captura da espécie, em 1963, a pressão não cessou completamente. Estima-se que dezenas de milhares de jubartes ainda tenham sido abatidas ilegalmente por frotas soviéticas nas décadas seguintes.

Mudanças no genoma

Mas afinal, como a redução no número de indivíduos afetou o genoma? Um dos indicadores analisados pelo estudo foi a heterozigosidade, um termo técnico que indica o quanto os genes de um animal são diferentes entre si.

Fonte: Superinteressante

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