Inquilinas de baleias, cracas dão pistas sobre caminho da água nas jubarte
Publicado em 30 de dezembro de 2025 às 18:00
2 min de leituraEste texto foi publicado originalmente no Jornal da USP.
As baleias-jubarte não viajam sozinhas. Ao longo de suas rotas migratórias, carregam um passageiro. Seus inquilinos, crustáceos conhecidos como cracas, se fixam nesses animais como ostras o fazem em rochedos.
Um estudo realizado no Instituto de Biociências (IB) da USP relaciona o tamanho, a forma e a posição das cracas no corpo das baleias com o fluxo de água que passa pelos cetáceos. Pesquisadoras descobriram que os crustáceos da espécie Coronula diadema são diversos ao longo do corpo de um mesmo animal.
As cracas Coronula diadema são epibiontes de baleias-jubarte.Wikimedia Commons/Reprodução "Cracas mudam de forma a depender de onde elas estão na baleia," afirma Teresa de Filippo, pesquisadora que primeiro assina o estudo. As autoras apontam que as pressões da circulação da água podem moldar a morfologia dos epibiontes — animais que se fixam em outros animais. Quanto maior a turbulência, menor a craca.
Os resultados foram publicados na revista científica Evolutionary Ecology como produto da iniciação científica de Filippo.
A parte que habitam
"Uma de nossas primeiras hipóteses era que o comportamento das baleias mudaria o formato da craca", conta Teresa de Filippo. Isso indicaria que a agressividade dos machos durante o período reprodutivo definiria o formato e a robustez dos crustáceos associados — pelo menos, dos que permanecessem fixados.
"Mas isso não aconteceu", continuou. As análises conduzidas pela equipe não mostram diferenças significativas entre as cracas de cetáceos machos e fêmeas. "Talvez o comportamento não seja tão diferente assim", sugere Teresa.
As cracas estudadas foram coletadas entre 2000 e 2024 em baleias-jubarte encalhadas entre o sul da Bahia e o Rio Grande do Sul. As pesquisadoras fizeram medições morfométricas para as 136 amostras. Cada crustáceo foi fotografado e teve sua geometria analisada, o que possibilitou a comparação de diferenças de forma e tamanho entre os indivíduos.
Fonte: Superinteressante
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