Por que falam que a carne de porco é “remosa”?
Publicado em 1 de janeiro de 2026 às 14:00
2 min de leituraEssa vai para os conterrâneos paraenses deste Oráculo. Em algumas regiões do país, especialmente Norte e Nordeste, comidas consideradas "remosas" (como porco, frutos do mar e frituras em geral) são aquelas que, em tese, prejudicariam o sistema imune, deixando o sangue viscoso e atrapalhando a cicatrização do corpo. ("Remoso" vem do grego reimos, "viscoso"). Se você já fez uma tatuagem ou piercing, talvez tenha ouvido que deve evitar esses alimentos nos dias após o procedimento.
Acontece que não há evidências científicas suficientes para afirmar que essas comidas de fato atrapalham a cicatrização. Um estudo de 2014 tentou botar isso à prova: os pesquisadores fizeram cortes cirúrgicos em 30 ratinhos, e observaram o avanço da ferida. Um grupo de ratos recebeu uma dieta de ração normal, enquanto o outro ganhou ração misturada com carne de porco.
E pasme: as feridas dos ratinhos que comeram carne de porco cicatrizaram melhor do que aqueles que ficaram na dieta básica. Além de se recuperarem mais rápido, a resistência das cicatrizes era maior nos ratos com dieta suína. Segundo os autores, o motivo disso é provavelmente o maior teor de proteínas, gorduras e calorias presentes na carne de porco – todos necessários para uma boa recuperação do organismo.
Isso não significa que você deve comer carne de porco após uma cirurgia. Vale mais a pena se preocupar em manter uma dieta balanceada à longo prazo, em vez de incluir ou eliminar um único alimento. Além disso, um único estudo feito em ratos não é suficiente para estabelecer um consenso científico: ainda são necessários mais estudos sobre o tema.
Como, então, o porco e outras comidas ganharam fama de "remosos"? Há uma hipótese mais popular. Embora a lista de alimentos remosos varie de acordo com a região, muitos deles causam alergia em algumas pessoas – como é o caso do próprio porco. É possível que esses alimentos tenham causado reações em pessoas alérgicas, e aí ganhado a contraindicação geral.
AS MAIS LIDAS DA SEMANA
Toda sexta, uma seleção das reportagens que mais bombaram no site da Super ao longo da semana.
Aceito receber ofertas produtos e serviços do Grupo Abril.
Cadastro efetuado com sucesso!
Você receberá nossas newsletters pela manhã de segunda a sexta-feira.
Fontes: artigo Cicatrização de ferimentos incisionais em ratos submetidos a alimentação com carne suína; artigo Tabus alimentares em medicina: uma hipótese para fisiopatologia referente aos alimentos remosos.
Fonte: Superinteressante
Leia também
- Redes sociais: por que duas horas por dia podem ser perigosas para adolescentes

Um novo estudo australiano colocou números mais precisos em um debate que já consome legisladores, pais e plataformas há anos: quanto tempo nas redes sociais é, de fato, perigoso para adolescentes? A resposta, segundo a pesquisa, começa em duas horas por dia.
💬 0 - Estudo sugere que jogar videogame por mais de 10 horas semanais pode prejudicar a saúde
Um estudo recente aponta que jogar videogame em excesso pode trazer impactos negativos à saúde, especialmente entre jovens universitários. A pesquisa, publicada na revista Nutrition e divulgada pelo Medical Xpress, analisou como longas sessões semanais de jogos influenciam hábitos alimentares, sono e peso corporal.
💬 0 - Biofobia: por que algumas pessoas odeiam o contato com a natureza?
Johan Kjellberg Jensen é pesquisador visitante de ciências ambientais da Universidade de Lund (Suécia). O texto a seguir foi originalmente publicado no site The Conversation, que reúne artigos escritos por cientistas. Vale conferir.
💬 0